Comida do Nepal em Lisboa: Fui a Um Supper Club | Opinião

Things to do in Portugal Tips from locals

Tags:   

This post is also available in: enEnglish

A ideia de pagar para jantar na casa de um estranho e partilhar uma refeição com pessoas que nunca conheci na vida, nunca me passou pela cabeça.

Já tinha ouvido falar em “supper clubs” e até já conhecia o conceito, mas nunca surgiu a oportunidade de ir a um.

Até que uma tarde o telefone tocou:

“Olá! O que estás a fazer este sábado à noite?

Conheço uma senhora do Nepal que faz comida caseira deliciosa.

Não é um restaurante, mas vai ser a melhor comida Nepalesa que vais comer em Lisboa. Queres ir?”

E porque não?

Os supper clubs estão-se a tornar cada vez mais famosos em Portugal.

Da experiência que tive, acho que é um excelente programa.

Com todo este frenesim turístico, os restaurantes em Lisboa estão cada vez mais cheios e barulhentos.

Então os super clubs são excelentes alternativas, são espaços acolhedores com lugares limitados.

A melhor parte é poder desfrutar de comida preparada por pessoas que gostam de acolher outras pessoas, num ambiente bastante intimista.

Pensem lá bem quantas vezes temos a oportunidade de jantar com o Chef de um restaurante?

Foi exatamente este tipo de experiência que encontrei na TerrAzoia.

Uma quinta de produção orgânica que ao mesmo tempo é um hotel rural.

Na TerrAzoia, não se entra de carro e portanto somos convidados a fazer uma curta caminhada.

Esta quinta está situada no meio da Serra de Sintra, por isso o caminho para lá chegar, partindo de Lisboa, é, por si só, maravilhoso e mágico: sempre à beira-mar.

A Sofia co-organiza a experiência e oferece sempre uma visita guiada da quinta a todos os participantes.

Vistas sobre o mar e sobre a montanha são uma lufada de ar fresco para as pessoas da cidade.

Os cheiros são intensamente divinais devido a todas as árvores que rodeiam o espaço: sobreiros, carvalho, pinheiro, acácia e eucaliptos.

A Sofia organiza várias experiências gastronómicas na TerrAzoia, principalmente saudáveis e vegan. Espreitem o Brunch Vegetariano e aulas de culinária vegan: portuguesa e do norte de África.

Mas naquele dia, esperava-nos a melhor comida nepalesa em Lisboa e a anfitriã era a Chandra (amiga e antiga aluna da Sofia).

O Nepal é um país fascinante, com uma culinária repleta de sabores deliciosos. Devido à presença herança de tradições budistas e hindus, a culinária nepalesa atrai tanto vegetarianos como pessoas que apreciam carne.

Influenciada pelos países vizinhos (Índia, China e Tibete), a culinária nepalesa combina uma variedade de ingredientes, técnicas e características com história gastronómica própria.

Em regra geral, os pratos nepaleses são geralmente mais saudáveis do que a maioria das outras cozinhas do sul asiático, uma vez que utilizam menos gorduras saturadas e mais gordura vegetal, mais carnes magras, ingredientes em conserva e saladas.

A Chandra veio para Portugal como estudante de permacultura na quinta da Sofia. Uma semana depois estava apaixonada pelo país.

A ideia de começar um supper club nepalês veio da sua paixão em conhecer novas pessoas e partilhar as deliciosas refeições caseiras que faz.

Surpreendeu-me o facto da Chandra ser dona do seu próprio negócio de especiarias caseiras em Katmandu (a capital do Nepal) e o facto de ela fazer imensa comida de raíz como, por exemplo, pickles!

O espaço onde somos recebidos é aberto e composto por uma bancada de cozinha, uma mesa de refeições e tem inclusive uma lareira e cadeirões.

Além de conseguirmos ver tudo o que a Chandra cozinha, no inverno soube mesmo bem estar perto do lume a desfrutar um chá de ervas locais e limonada de lima – tudo orgânico e da quinta da Sofia.

No balcão da cozinha, estava uma variedade de ingredientes nepaleses.

Sêmola, lentilhas, pistachios, cenouras, cajus e diversas especiarias que traziam um aroma natural à sala.

A Chandra confessou que alguns dos ingredientes são oferecidos por compatriotas quando viajam do Nepal para Portugal.

A mesa estava posta para seis pessoas: uma jovem suíça, uma guia turística brasileira (especializada no mercado vegan), uma blogger vegan dos E.U.A. e também algumas pessoas locais que tinham vindo de Lisboa.

A maioria dos participantes seguiam uma dieta vegan, por isso, a Chandra preparou uma refeição nepalesa sem qualquer ingrediente de origem animal.

“Não há segredos nas minhas receitas!”

A Chandra explica, com muito entusiasmo, cada detalhe enquanto cozinha, desde recheios das chamuças, a ingredientes que usa para fazer a sopa ou até mesmo o processo do crescimento dos seu pickles caseiros.

Tradicionalmente, no Nepal, todos os pratos que compõem a refeição são acompanhados de arroz e lentilhas, desde as entradas até os pratos principais.

Como entrada, a Chandra serviu sopa de batata doce, abóbora e sementes.

Isto deu-nos já um gostinho do Nepal.

Depois provamos “achaar”, uma salada picante de picles feita com pepino e puré de batatas.

Uma combinação de texturas que não me ocorreria fazer em casa. No entanto, foi uma surpresa celestial para o paladar.

Servi-me duas vezes, já a sentir culpa por estar a ocupar espaço no estômago só com as entradas.

À medida que a comida ia sendo cozinhada, os cheiros e os sabores começaram a levar-nos numa viagem além dos oceanos.

Por momentos tive mesmo a sensação de que estava no Nepal, no meio das montanhas na casa da Chandra.

Esta cozinheira nepalesa arrasou com a nossa dieta quando nos presenteou com a sua famosa receita de chamuças.

Oh meu Deus, a isto é o que eu chamo de paraíso gastronómico.

As chamuças são feitas com uma massa grossa.

Uma massa seca e crocante que nos deixou completamente descontrolados a comer uma chamuça atrás de outra.

O recheio era de legumes, ervilhas, pepino e milho (a Chandra também usa frango, mas não para as refeições vegan).

A quantidade de tempero estava no ponto o que tornava cada dentada numa explosão de sabores e texturas.

Atenção caros foodies, a Chandra geralmente faz demasiadas chamuças, o que é muito perigoso para nós porque não paramos de as comer.

São simplesmente viciantes.

Quando achava que já não tinha mais espaço para a sobremesa, eis que chega “gajar ka haluwa”.

O aspecto simplesmente implorava para ser provado.

Nota: Ainda que difícil, é crucial conseguir deixar espaço extra no estômago para este delicioso bolo de cenoura com leite de amêndoa.

À mesa, a conversa fluiu entre todas as diferentes nacionalidades ali presentes.

Ao longo da refeição, conversamos sobre viagens, sobre gastronomia e acabámos por nos conhecer melhor. A paixão por outras culturas e pela comida reuniu-nos ali, num ambiente diferente, mas excepcional.

Trocamos contactos e antes de sairmos, todos podíamos concordar na mesma pergunta: Quando é que podemos voltar?

Não há nada como uma refeição reconfortante.

E, na minha opinião, esse é o maior segredo da Chandra.

A MELHOR COMIDA NEPALESA EM LISBOA

Se ficou curioso para saber como é esta experiência, junte-se ao próximo evento 🙂

Veja também o artigo escrito pela blogger The Nomadic Vegan onde este supper cub vem recomendado.

Se gosta de fazer viagens gastronómicas, siga-nos no Facebook e no Instagram.

Está de visita a Lisboa? Peça recomendações a pessoas locais: junte-se à nossa comunidade foodie Lisbon Food Network e Lisbon Vegan & Vegetarian Foodies

Sobre o Autor

LUCIANA

Sou fascinada por novas culturas e adoro escolher destinos relacionados com gastronomia e locais de mergulho. A minha paixão por comida levou-me na maior aventura de sempre: construir a minha própria empresa. Ao fim de 10kg extra, nasceu o FoodieBookings, um website agregador de experiências gastronómicas autênticas, escolhidas a dedo 🙂

Instagram has returned invalid data.